pausas: cotidiano em . p.o.n.t.o.s .
Bateu.
O passarinho no vidro imóvel do topo da porta da varanda. Reflexo de algo ou transparência que não parecia obstáculo? Não se sabe. O barulho foi intenso e assustou a menina, que estava naquela casa, sozinha com seu cachorro. Ambos prestaram atenção, alertas. Silêncio.
Bateu.
Uma mão contra a outra. Uma vez. Duas. Três. Silêncio. De novo; uma voz auxilia o movimento. Nada.
A campainha não funciona ou… não há ninguém? Sem sinal – de vida. Repetição do processo: mãos que se encontram quase sem se sentir, tão ágeis. A voz. Um assobio. Silêncio.
Bateu.
O líquido com a fruta, num redemoinho premeditado. Tensão que transforma uma coisa em outra coisa para outra coisa. O metal corta e estraçalha. O barulho distrai os acontecimentos em segundos de quase alquimia. Muito barulho por nada?
Suco.
Bateu.
A sensação de frio, por todo lado; o sol se esconde, o vento se faz perceber. O piso é frio, contra a pele prévia e deliciosamente aquecida. Temperatura em vertigem. Calma. Abrir de olhos, céu todo branco.
Bateu.
A saudade do momento antes, que já se foi, morno como um abraço infinito, aquecendo o turbilhão da vida contemporânea. Sangue que corre vívido no corpo, como o vinho é agitado na taça antes de ser aprovado.
Bateu.
Tum
Tum
Tum
Tum